sábado, 15 de janeiro de 2011

Meus favoritos olhos verdes


Afago-me em dias curtos, talvez dias que não me afaguem. A falta que você faz é exorbitante, constrangedora, diria por entre esses dias. Tento me prender a livros, a filmes... Porém os mesmos só me trazem você a tona. 2 de maio... Como queria que ninguém houvesse me lembrado desse dia há 3 anos atrás. Ainda ouço o ruído de o copo cair no chão, seu corpo vagarosamente cambaleando sobre meu colo. Um riso, logo após o desespero. Gritos. O barulho deles parecia ecoar em minha mente, cada vez mais grave. Nunca se passaram tantas coisas em minha cabeça em uma fração tão minúscula de segundos. Segundos que pareciam não acabar. O pescoço endurecido. As pupilas dilatadas escondiam o verde de seus olhos, desejava que a calma deles estivesse ali. Vomito pelo quarto. Olhares aflitos. Todo centímetro de pele arrepiava/tremia. Os degraus que pareciam nunca acabar - Não chore, vou ficar bem. Essas sim, me soam como tambor (que sei que nunca irão parar de bater). Barulho da ambulância. Lembro-me de risadas ágeis e despreocupadas do cochichar das enfermeiras e meu sangue subindo, sozinha ali sem saber o que dizer ou fazer. Lembro-me também de um banheiro. Eu vestia um pequeno vestido vermelho, florido; trança nos cabelos; olhos fundos, cheios de medo. Preces que não paravam. Lágrimas desesperadoras refletiam no espelho. Perguntei em meio ao silêncio - Vai ficar tudo bem, não vai? - mas não obtive resposta. Ruas vazias e a única pessoa que eu jamais havia de ter visto chorar estava ali ao meu lado em prantos, com as mãos no volante. Queria ter me agarrado naquelas mãos para me equilibrar, mas elas estavam tão frágeis quanto as minhas. Semanas passando, olhos brilhando cheios de esperança. Mesmo que no fundo sabia exatamente o que iria acontecer. Só estava tentando esconder do meu coração. Ele ainda não poderia saber disso, estava machucado demais, sozinho demais. Lembro-me da persiana do quarto de hospital em que você brincava sem parar. De como seu orgulho era evidente quando dizia à enfermeira que era professora de história, e um sorriso aparecia depressa. Noites em claro. Cada piscar de olhos era um susto.
- Por que você não dorme?
- Porque estou esperando você dormir
- Mas eu também estou esperando você dormir, sou eu quem cuida de você
- Hoje vamos inverter os papéis hoje ok? Minha vez de cuidar de você - disse eu com a voz fraquejando e segurando as lágrimas para parecer quem sabe um pouco forte, pois sei que ela entendia perfeitamente o que estava acontecendo. Ela sabia. Um aviso... De repente me explicaram o que estava acontecendo, confesso que a principio não entendi direito. Dei de ombros. Só queria cuidar dela, me esquecer disso e a envolver em meus braços (na verdade queria que ela me evolvesse nos dela). Depois de entender fiquei imaginando o que se passara por dentro do seu corpo enquanto tudo acontecia como naqueles seriados de plantão médico. Passaram-se dias que faziam com que cada respiração minha doesse um pouco. Agora eu via bolhas por toda parte de seu corpo. Como ele havia inchado. Se não fosse pelos meus favoritos olhos verdes podia jurar que não era você ali. Já não falava, apenas passeava com os olhos por entre meu rosto. - Agora tenho que ir, ok? - disse eu ao ter que sair da sala. Sinto um apertar em minhas mãos me segurando mais alguns segundos ali como se dissesse: fique mais.. Não vá embora - e um olhar suplicante de alcance aos meus. Mas tive que ir e nunca mais os encontrei novamente.

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